#281: Um Sonho de Amor - Trilogia do Sonho #1 - Nora Roberts

, em sexta-feira, 13 de março de 2015 ,
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Olhem resenha de releitura da Nora aí, gente! ;)

Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 363
Ano: 1999

Sinopse (Skoob):
Em "Um Sonho de Amor", Margo, Laura e Kate cresceram como irmãs em meio à grandeza da deslumbrante Templeton House. Mas será Margo, a filha da rigorosa governanta irlandesa dos Templeton, quem primeiro partirá para uma jornada magnífica, cheia de riscos e recompensas, em busca de si própria - e do amor. Embora tratada como um membro da família, Margo, bem no fundo, sempre soube que o dinheiro jamais poderia comprar o que mais desejava na vida: a aceitação da mãe. Talvez a situação pudesse ser diferente, se ela fosse como a doce Laura... ou tivesse a astúcia para negócios como Kate. Mas tudo o que Margo sabia fazer era ser Margo, o que significava fazer as coisas à sua maneira... não importava quais fossem as consequências.



Depois que a capitã do navio (e toda vez que eu falo disso lembro daquele clipe da música: Rich Girl da Gwen Stefani), nossa querida Camila Araújo, falou de sua paixão pela Rainha do Romance, a diva Nora Roberts, máquina de escrever, irlandesa honorária, criadora de falsas expectativas masculinas, senti uma vontade louca de reler os livros dela e fiquei aperreando Miloca até ela me emprestar os que lembro com mais carinho. Entre eles, mora no meu coração a Trilogia do Sonho, que foi uma das primeiras que eu li e de longe a minha favorita.

Aliás, preciso fornecer um contexto, aqui: quem me apresentou à Nora Roberts foi outra querida amiga nossa, destemida mosqueteira +Isadora dos Santos, na época em que todas estávamos esperando os últimos livros de Harry Potter e, na ansiedade, começamos a empilhar romances de banca. Empilhar não é eufemismo, porque Isa já sofreu um episódio de soterramento de livros que, err, não vem ao caso, MAS! A questão é que ela me apresentou a Madame Roberts com a seguinte sequência: Doce Vingança, seguida do primeiro livro da Série Mortal, seguida da Trilogia do Sonho. Na época, lembro que Nudez Mortal foi o meu favorito, e o dela era Doce Vingança. E hoje em dia os favoritos dela são os da Série Mortal, e o meu é Doce Vingança, oi?

Enfim, essa lenga-lenga toda foi para explicar que eu li esses livros na impressionável idade entre os 17 e os 19 anos, quando ler romance de banca ainda tinha aquele gostinho de proibido e, sei lá, de depravado, um pouquinho. Quero dizer, capa de romance me deixa meio ruborizada, sabe? Tão... Insinuante. Todo mundo descamisado com cara de êxtase e tal. Então, descobrir romances que tinham capas mais ou menos comportadas me deixaram menos despudorada e eu estava me achando muito adulta sendo leitora daquilo. Quando peguei a Trilogia do Sonho para ler, eu já estava bem viciada na obra da Roberts e achei tudo o máximo. A Laura, que é a protagonista do último livro e presença constante em todos, era a minha favorita, provavelmente porque nós duas temos personalidades e valores muito semelhantes. A favorita da Isa era a Margo, protagonista do primeiro - a quem eu achava louca e meio insensata, e não tive muita empatia.

Pois imaginem minha surpresa quando, durante a releitura, percebi que minhas opiniões em relação a esses livros estão completamente mudadas e que agora eu defenderei Margo com a garra do Leão de Nemeia? Pois é, pois é, pois é.

(Dica: cuidado quando revisitarem as coisas da juventude de vocês. Os olhos de hoje vão julgar muuuuuito o que você achava legal antigamente, é uma tristeza.)

Mas vocês provavelmente querem saber do livro, né? Desculpa o rodeio, vou começar a falar dele mais diretamente, hihi.

Os três livros giram em torno de uma lenda dos tempos em que a Califórnia ainda não era parte dos Estados Unidos, e Santa Fé ainda estava no litígio da guerra que conquistou esse território para os estadunidenses. A história de Seraphina, uma jovem latina que se joga de um penhasco depois de descobrir que seu amado havia falecido na guerra, foi parte impostante da vida das três amigas que protagonizam os livros, Margo, Kate e Laura. A lenda tinha tudo: o drama do amor perdido, a guerra que causou o drama e um tesouro escondido, o dote que a trágica Seraphina havia escondido antes de se matar. Quem lê Nora Roberts sabe que esse tipo de prenunciação é comum nas obras dela. Um mistério como pano de fundo, ou uma lenda ou FADAS. É.

Eu tive que pesquisar no A Very Potter Musical para lembrar da palavra que o Snape usou para descrever "informações incutidas na história que serão importantes no futuro da história", ou seja, "foreshadowing", ou seja, prenunciação! Por isso o GIF. Err, continuando.


Ahem, enfim, tem essa lenda, e as meninas do livro são influenciadas pela história desde muito jovens. Cada uma tem um entendimento diferente da jovem Seraphina. Margo, que sempre foi a mais passional e fogosa das três, achava que Seraphina havia se jogado do penhasco como uma forma de desafio, como um grande "banana pra você, Universo!", porque seria essa a razão pela qual Margo teria realmente se jogado, no lugar de Seraphina, porque Margo não vê outra razão para se matar. Ela ama demais viver, e sempre quis VIVER TUDO. Apesar de amar muito a mãe, que a criou sozinha desde sempre, e suas duas melhores amigas que são basicamente as irmãs dela, Margo sempre quis o mundo.

Entendam, ela é a filha da governanta dos Templeton, pais de Laura e guardiões legais de Kate. E os Templeton, donos de uma das cadeias de hotéis de luxo mais bem sucedidas do mundo, eram muito ricos. Margo cresceu vendo todas as coisas lindas que existiam na casa dos Templeton; melhor ainda, ela cresceu em meio a todas as coisas lindas, porque os Templeton amavam Margo como filha. Ela tinha até um quarto na mansão do casal, e eles a mimavam sempre que podiam. Nada mais natural do que tornar aquilo um objetivo de vida, certo? Ser bem sucedida o suficiente para ter uma vida tão confortável e deslumbrante quanto a das pessoas que gostavam tanto dela?

A mãe de Margo não concordava. Ela achava a filha ambiciosa demais, nunca satisfeita com o que tinha. Queria que a menina fosse menos maluca e mais pé no chão, que soubesse que era a filha da governanta e não tinha direito àquelas coisas.

O negócio é que Margo sabia muito bem disso. Laura e Kate são parentes e, como tal, aos olhos de Margo, eram membro dos Templeton e podiam ter aquele luxo como certo, mas ela, Margo, sabia que se ela quisesse luxo, teria que conseguir sozinha. E ela já sabia como: a própria Margo era uma coisa muito linda como tudo o que cercava os Templeton. Ela não era boa com números ou nada de colégio, mas era muito independente, charmosa e muito, muito bonita. E esse verniz ela poderia usar no mundo das passarelas e câmeras fotográficas para se tornar um rosto famoso, procurado e muito bem pago.

É exatamente isso que ela faz. Antes de fazer vinte anos, assim que Laura se casa com seu príncipe encantado, Margo foge para Hollywood e começa a galgar uma carreira no mundo da moda.

E é aqui, amigos, que eu preciso falar sobre como a minha segunda leitura me fez mudar muito a respeito dessa personagem. Na primeira leitura, eu terminei o livro achando Margo divertida, mas muito fútil, muito inconsequente e em geral alguém que mereceu as dificuldades pelas quais passou. Agora, Margo não só é a minha personagem favorita dessa trilogia, como também é uma das melhores heroínas da Nora Roberts e alguém que merecia ter sido tratada com um pouco mais de respeito - não só pelos personagens do livro, mas pela própria autora.

Explico: a Margo conseguiu entrar no mundo da moda e do luxo. Com o estilo de vida dela, vieram vários escândalos do tipo ela dormir com um monte de galãzão bonitão por aí, inclusive uma galera que já era casada e tal (EITA GEOVANA), colecionar roupas e acessórios caros, casacos de pele, ter um apartamento muito bom em Milão... Enfim, ela tinha a vida glamorosa de uma top model.

Aí, o agente dela, com quem ela estava inclusive planejando se casar (o cara era casado, mas prometeeeeeu que ia se divorciar da esposa e etc etc), usou Margo para ocultar seu negócio de tráfico de entorpecentes e destruiu a carreira dela. Trágico, né?

Pois todo mundo passa o livro TODO julgando a Margo por todas as decisões da vida dela. Inclusive a própria Margo.

Passei o livro todo com raiva, sério. Tudo o que eu me eduquei ao longo dos anos para pensar - como feminista e como ser humano decente - sobre liberdade pessoal era considerado um crime por todas as pessoas do livro com exceção de Kate e Laura, que são as melhores amigas que qualquer um poderia querer. Margo foi julgada por gostar de moda, de roupas bonitas e de sapatos. Margo foi julgada por ter corrido atrás do próprio sonho. Pior ainda, Margo foi julgada pela quantidade de homens com quem se deitou. Tipo, passam o livro todo pintando como é errado ela ter tido a vida boêmia de dormir com um cara diferente no fim de cada festa e eu NÃO TENHO AAAFSDJKFDKDFKLF PACIÊNCIA PRA ISSO.

Ai caraaaamba, quer dizer que é crime a pessoa querer se cercar de Chanel, Prada, Valentino! De usar a própria beleza como meios para conseguir o que quer? De dormir com geral? Que coisa retrógrada! Aliás, que coisa MACHISTA.

O Josh - o protagonista, que é bonitão e legal e rico e tal e eu gosto dele até - pode ser viciado em carros de luxo, mas a Margo não pode gostar de comprar estolas? Ah, vá se ferrar. Até onde eu sei, a coisa  errada que Margo fez foi pegar homem casado, mas isso eu acho mais safadeza do homem casado do que da amante dele, não sei se vocês concordam comigo. Quero dizer, se o cara realmente se importasse com o matrimônio, não ia trair a esposa. Ela foi otária de ajudar no adultério alheio, mas até isso o livro redime quando explica a carga de problemas psicológicos que a Margo tem com compromisso.

Depois de observar a protagonista ser demonizada até pela própria mãe e ter que se humilhar para se "redimir" pelo pecado de ser, pelo que deu a entender o livro, uma "vagabunda", ela consegue se reerguer dos escombros de sua carreira com ajuda das pessoas que a amam e tal.

TIPO. O final é satisfatório. Os personagens são divertidos, o Josh é muito cativante e tão pirado quanto a Margo, os dois dão certinho e tal, mas. Fiquei com vontade de proteger a Margo dessa galera. Só não fico com mais raiva porque Kate e Laura fazem isso, até certo ponto.

Não me levem a mal. Eu gosto do livro. Mas a segunda leitura, depois de quase dez anos de diferença da primeira, me deu uma perspectiva nova para avaliar alguns defeitos que passaram batidos antes. Eu sei que romance é recheado desses clichês e de machismo, e leio os que leio sem ligar muito minha veia de ativista-crítica-social, mas esse livro estava perto do meu coração e mereceu mais atenção da minha nova mentalidade.

Avaliação: ★★★★☆ (A quarta estrela representa a relação entre as mulheres do livro que, felizmente, passam no Teste de Bechdel)

P.S.:  Aposto como a Camila está arrependida de ter me dado essa releitura. Quero dizer, Margo é a minha preferida, imagina quando eu escrever sobre a história super sem sal do Segundo Livro, cujo protagonista-macho eu nem lembro o nome de tão sem sal.

P.P.S.: Quem diabos traduziu o nome desse livro? O original era TÃO MAIS LEGAL. Pegava muito mais a vibe da Margo, "Ousando Sonhar", do que "Um Sonho de Amor".

P.P.P.S: Venho, por meio desta, dizer que: filha, a resenha é tua, fala o que quiser! Eu lembro que gosto da Margo justamente por ela ser maluca. E eu gosto do herói do último livro que, se não me engano, é um cowboy-bruto-cheio-de-pegada de tirar o fôlego. ;) [Camila, a capitã do navio, falando.]








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