#209: Passarinha – Kathryn Erskine

, em sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 ,
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Editora: Valentina
Páginas: 224
Ano: 2013

Sinopse (Skoob):
No mundo de Caitlin tudo é preto ou branco. As coisas são boas ou más. Qualquer coisa no meio do caminho é confuso. Essa é a máxima que o irmão mais velho de Caitlin sempre repetiu. Mas agora Devon está morto e o pai não está ajudando em nada. Caitlin quer acabar com isso, mas como uma menina de onze anos de idade, com síndrome de Asperger ela não sabe como. Quando ela lê a definição de encerramento ela percebe que é o que ela precisa. Em sua busca por ele, Caitlin descobre que nem tudo é preto ou branco, o mundo está cheio de cores, confuso e bonito.


Como é a vida pelos olhos de uma criança com Síndrome de Asperger? Seu relacionamento com outras pessoas, como ela entende as coisas e como ela lida com o luto? São essas perguntas que Kathryn Erskine tenta responder em Passarinha. E, a meu ver, ela fez um ótimo trabalho.

Lidar com a perda de alguém muito querido não é fácil para ninguém, imaginem então para uma criança que enxerga o mundo de forma muito literal e específica que perde aquele que a ajudava a enxergar as entrelinhas.
Caitlin tem Asperger, um tipo de autismo, e entende tudo ao pé da letra, além de ter dificuldade em entender as expressões faciais dos outros. Na verdade, emoções a intimidam. Quem muito a ajudava a entender o mundo era seu irmão Devon, mas ele morreu numa tragédia na escola, em que um colega atirou a esmo, e agora ela está sozinha com o pai que também está sofrendo muito.

Que tal se nós todos nos reuníssemos?
Para que?
Para sabermos em que pé você está.
Olho para meus pés plantados lado a lado no chão da sala. Eu estou em cima dos dois pés ao mesmo tempo.
Desculpe. Eu quis dizer para sabermos como você está se sentindo.
(P. 16)

Um grande companheiro de Caitlin é seu dicionário, no qual ela procura o sentido de muitas coisas e é depois de uma conversa com a Sra. Brook – a conselheira da escola – que a garotinha acha a palavra “desfecho”, então ela começa a procurar por ele para ajudar o pai.
Nesse meio tempo, a Sra. Brook insiste que Caitlin precisa fazer amigos, apesar da menina não querer. Caitlin acha muito complicado se relacionar com os outros, pois ela não compreende o sentido de “se pôr no lugar do outro”, sua inabilidade de processar emoções dificulta exercer empatia, mas ela vai trabalhar nisso também.

O que me chamou a atenção quando soube do lançamento de Passarinha – além da capa caprichada – foi o tema. Acho muito interessante entender melhor o mundo das pessoas especiais, diferentes.
Eu não conheço ninguém com Asperger – até onde sei –, mas já estudei com um autista e, mesmo não conhecendo a síndrome e o melhor jeito de lidar com ela, eu me relacionava com ele como com qualquer outro colega e não entendo porque todos não podem ser assim. (Sinceramente não sei o que dói em pesquisar um pouco e tentar ajudar as pessoas ao invés de olhar e julgar e fazer cara feia. ¬¬)
O que mais gostei no livro foi a sensibilidade da escrita. A narrativa é em primeira pessoa e é de uma simplicidade e honestidade que envolve e emociona. O leitor, literalmente, se coloca no lugar de Caitlin para entender o que ela está passando.
Não sei se me fiz entender, mas é complicado explicar esse livro sem contar os pormenores da história. É doce, é fofo e lindo e eu indico demais.


Nota: 5/5.

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