Estão lendo lá fora #3

, em quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013 ,
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Quando pedi a Camila para criar essa seção no blog, minha intenção era comentar sobre os livros mais cotados do momento, no exterior, mas ainda sem previsão de publicação no Brasil. No entanto, acho pertinente estender o escopo do « Estão lendo lá fora » para livros de outros países que foram subestimados pelas editoras brasileiras e são relativamente desconhecidos por essas bandas.

O primeiro exemplo que trago a vocês é o livro The Blue Sword, escrito por Robin McKinley. Para vocês terem noção, o livro é tão antigo e desconhecido que não possuía sequer registro no Skoob; eu mesma tive que adicioná-lo ao acervo do site, logo depois de terminar a leitura.

Capa da edição pela Ace
Título Original: The Blue Sword
Tradução do Blog: A Espada Azul
Autor(a): Robin McKinley
Língua Original: Inglês
Primeira publicação em 1982, pela William Morrow

Harry Crewe é uma orfã que se muda para Damar, país desértico dividido pelos Patriotas¹ e pelo mágico e reservado Povo das Colinas². A vida da garota é quieta e ordinária - até a noite em que ela é sequestrada por Corlath, o Rei do Povo das Colinas, que a leva até as profundezas do deserto. Ela não conhece a língua do Povo das Colinas; não sabe porque motivo foi escolhida. Mas Corlath sabe. Harry deve ser treinada nas artes da guerra até ser tão habilidosa quanto qualquer um de seus homens. Será que ela tem a coragem de aceitar seu verdadeiro destino? (traduzido do Goodreads pelo Colecionadores de Histórias)
¹ Homelanders | ² Hillfolk


A sinopse desse livro definitivamente não faz jus ao brilhantismo da história; o enredo vai muito além da impressão de "romance de ficção" que é passada por esse resumo. O livro é de 1982, mas tem uma abordagem atemporal de assuntos como independência feminina, laços familiares, escolha de prioridades, mudanças radicais de vida e outros tópicos que ainda são bastante visados em pleno século XXI. Se fosse publicado hoje em dia, provavelmente ganharia fama de Young Adult, mas existem algumas diferenças que separam essa história da maioria dos YAs do novo século, em especial os personagens e o ritmo dos acontecimentos.

A protagonista, Harry - apelido para Angharad, nome épico, fala sério - Crewe é uma moça comum. Não estou falando de comum do tipo narrador-em-primeira-pessoa, digo-que-sou-feia-mas-na-verdade-sou-DESLUMBRANTE-e-DIVOSA; Harry realmente é uma menina comum. Nem linda, nem feia, sem muitas características que a destaquem das demais moças de seu novo lar. E é isso que faz dela uma personagem tão interessante: todos os feitos que ela realiza ao longo do livro são fruto de muito esforço, físico e mental, e de muita dedicação. É impossível não sentir simpatia por ela e torcer com fervor para que tudo corra bem.

O outro portagonista, Corlath, está bem longe de ser o adolescente misterioso e bonito que figura em todos os romances do gênero. Para começar, ele é beeeeeem mais velho do que a Harry - não lembro exatamente a idade porque já faz um tempo que li, mas é algo na segunda metade dos vinte, perto dos trinta - e é um adulto que leva suas responsabilidades a sério. Ele é austero, não dá brecha para frescura e tem uma vibe deliciosa de Príncipe do Egito mesmo sendo bastante altruísta. Quando descrevem Corlath como Rei, não é brincadeira: ele realmente governa o Hillfolk tão bem quanto pode.

Aliás, é por ser um bom governante que ele sequestra a Harry e a leva para o deserto com ele (nem vou contar o motivo, porque é um dos momentos mais ansiosos e engraçados da história!). A pobre moça, tendo vivido toda a infância e adolescência em um país similar à Inglaterra pré-Revolução Industrial, estranha muito a vida nas areias de Damar, mas sua situação como orfã que não tem nada a perder faz com que ela aprecie com gosto a própria vida e as circunstâncias que a cercam.

É lindo ver Harry começar a se apaixonar pelo deserto e desabrochar de seu status de mais-uma-moça-recatada-e-educada para se tonar uma mulher forte, independente e segura de si. No Goodreads, os leitores incluem a personagem nas listas de Best Strong Female Fantasy Novels e Best Kick-Ass Female Characters From YA and Children's Fantasy and Science Fiction, entre outras, junto a personagens como Katniss Everdeen de Jogos Vorazes e Sophie de O Castelo Animado - afinal, sabem a espada azul que dá nome ao livro? Não é o Corlath quem a empunha!

Recomendo a leitura por ser rápida, dinâmica, com ótima evolução, clímax emocionante e final muito satisfatório! Quem gosta de imergir em novas culturas e ler histórias de coming of age vai simplesmente amar esse livro!

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