#64: Memórias de um vendedor de mulheres - Giorgio Faletti

, em terça-feira, 12 de junho de 2012 ,
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Editora: Intrínseca
Páginas: 284
Ano: 2012

Sinopse (Skoob):
1978. Enquanto a Itália vive os dramáticos dias do sequestro do seu ex-primeiro-ministro Aldo Moro, Milão, esgotada pelos confrontos políticos e ameaçada pela criminalidade, prepara-se para se entregar aos prazeres excessivos dos anos 1980. Para a rica sociedade milanesa, que passa os verões em Santa Margherita e Paraggi, as diversões se tornam cada vez mais extremas, em um clima de fim de império. É nesse ambiente que são conduzidos os negócios de um homem enigmático e fascinante, vítima de uma mutilação causada por sua insolência. Todos o conhecem como Bravo. Ele trabalha com mulheres. Vendendo-as. Sua existência é uma longa noite em claro partilhada com desesperados. O único ser humano com quem parece ter uma relação normal é Lúcio, seu vizinho cego. Em comum, eles têm a paixão pelos criptogramas. O surgimento repentino de uma garota, Carla, torna a despertar em Bravo sensações que ele acreditava adormecidas para sempre. Na verdade, este é o início de um pesadelo que o transformará em um homem procurado pela polícia, pelo serviço secreto, pelo crime organizado e pelos militantes das Brigadas Vermelhas. Para se salvar, ele poderá contar apenas consigo mesmo. O mundo real exige sua presença e o põe diante da violência do seu tempo. Trata-se de algo tão sinistro que faz seus tráficos torpes parecerem puros como água cristalina.


Bravo não é seu nome verdadeiro, mas este não importa. Ele gosta de mulheres, sempre gostou, mas não fica com elas, as vende. Bravo vive – segundo ele mesmo – “um palmo acima” do limite da lei dos homens. O que não é problema – nem para ele, nem para a lei.
Um homem de muitos contatos e sem amigos, apenas companheiros. O mais próximo deles é Lucio, seu vizinho violonista e cego. Um solitário. Seu vício, além do cigarro, são os criptogramas – de revista e trocados entre ele e Lucio.
Orquestra negócios escusos que lhe rendem bom dinheiro, que ele não ostenta. Cuida das mulheres que vende apenas se elas lhe forem vantajosas e só as negocia com pessoas de classe.
Egocêntrico, invejoso, sagaz, irônico, sarcástico, este é o protagonista da história. Seus problemas são apenas seus e os dos outros não lhe importam nem um pouco. Até que Carla entra na sua vida.

Memórias de um vendedor de mulheres nos leva às mudanças que a entrada de certas pessoas na nossa vida a altera completamente. Bravo agia fora da lei, mas não tinha problemas diretos com a polícia, porém – de repente – está envolvido em cenas de assassinato. E sem álibi.
Ele narra sua vida de forma crua e direta. Como um realista nato, avalia todas as ações que tomará e as possíveis reações de com quem lidará friamente para que tudo seja resolvido da melhor maneira para ele. A mais vantajosa para seus interesses.
Fiquei meio perdida no sentido geográfico mesmo, pois Bravo cita os nomes das praças e ruas de Milão. E em alguns momentos dá para se perder entre os personagens citados pelo Bravo, pois ele alterna entre seus apelidos e nomes verdadeiros e fala de muita gente.
O final é surpreendente. Me deixou de queixo caído com alguns fatos dos últimos capítulos. Acredito que esse é o livro com mais reviravoltas que já li. Em um capítulo as coisas estão de um jeito e no outro mudam 180 graus.
Quase me perdi em alguns momentos, só quase. O livro é intrigante e a cada página, a cada nova ideia do Bravo eu me perguntava onde ele ia me levar, se para mais um crime ou se para uma de suas sacadas sagazes.
A leitura é bastante adulta e eu indico demais. Giorgio Faletti me conquistou e lerei seus outros livros com certeza.

Nota: 5/5.

Camila Araújo



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