Resenha #58: O Poder dos Seis - Pittacus Lore

, em sábado, 26 de maio de 2012 ,
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Sinopse - O Poder dos Seis - Os Legados de Lorien - Livro 2 - Pittacus Lore: O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam. Em O poder dos seis, John e a Número Seis se recuperam da grande batalha contra os mogadorianos, de quem ainda fogem para salvar a própria vida. Enquanto isso, a Número Sete está escondida em um convento na Espanha, acompanhando pela Internet notícias sobre John. Ela se pergunta onde estão Cinco e Seis, imaginando se um deles é a garota de cabelo preto e olhos cinzentos de seus sonhos, cujos poderes vão além de tudo o que ela já imaginou, aquela que tem a força necessária para reunir os seis sobreviventes.


- Sinopse retirada do Skoob


A coisa mais importante primeiro. Interrompi a leitura deste livro em determinada parte para mandar a seguinte mensagem para o nosso colaborador Pedro Henrique, entusiasta do Legado de Lorien e pessoa que me emprestou sua edição de Power of Six: "Peeedro, a Six e o John tão muito lovey-dovey, eu queeeero que eles fiquem juntos!".

O Pedro não me respondeu a mensagem (provavelmente porque a Dianna Agron faz o papel de Sarah Hart no filme e isso faz ele ser automaticamente Team Sarah para todo o sempre) mas o que eu quero dizer é: aposto minha coleção de livros do Harry Potter como os autores dessa série fizeram uma pesquisa de público e descobriram que os leitores simpatizaram muito mais com a Six do que com a Sarah.

Só queria tirar isso do meu coração antes de partir para o ataque, quero dizer, para a resenha.

A verdade é que eu não teria lido I Am Number Four se o Pedro não tivesse me indicado o livro. Por mais que eu goste histórias com naves espaciais e alienígenas, a estratégia de divulgação do livro através daquele pseudônimo de Pittacus Lore e o anúncio de que "os fatos deste livro são reais e etc" me deixaram meio preconceituosa.

Mas aí eu comecei a ler o livro e gostei muito mesmo do prólogo com o Número Três correndo dos mogadorianos. Infelizmente, fiquei um pouco decepcionada com a exposição de conteúdo e o drama do Quatro durante boa parte do primeiro livro, até que o Bernie Kosar e a Six salvaram minha leitura. Antes deles aparecerem, eu não conseguia parar de pensar "nossa, troquem o número Quatro pelo Três nessa equação, que coisa chata". O final de I Am Number Four me deixou na esperança de que os próximos volumes fossem mais interessantes. O que nos leva a Power of Six.

O livro segue a mesma narração em primeira pessoa que anda tão popular nos livros Young Adult ultimamente. No entanto, enquanto Eu Sou o Número Quatro foi narrado apenas pelo ponto de vista do John Smith, O Poder dos Seis divide a narração entre ele e uma nova personagem: Marina, a Número Sete. Como John está cruzando os Estados Unidos na companhia de Sam Goode, de Six e da chimaera Bernie Kosar, enquanto Marina está em uma cidadezinha pacata na Espanha, existem dois frontes de narração contando acontecimentos distintos. A história pula de um para outro de forma irregular, com um ou mais capítulos de diferença. Próximo ao fim do livro, aliás, essas mudanças de ponto de vista chegam a acontecer dentro de um mesmo capítulo, contando com mudança na tipografia para facilitar a transição.

Enquanto essa variedade de narradores é interessante para o enredo, eu fiquei um tanto decepcionada com a construção narrativa. Essa decepção já vinha do livro anterior, e está atrelada diretamente à forma meio rasa com que os personagens são jogados para o leitor. O autor meio que se arma do fato dos personagens serem adolescentes e faz com que a linha de raciocínio deles fique meio... Blah. Por falta de palavra que descreva melhor o sentimento.

Por exemplo: em meio a uma corrida pela própria vida, John procrastina a abertura de suas heranças (o baú lórico e a carta-testamento de Henri). Embora ele explique que está emocionalmente abalado pela morte do Cêpan dele e que por isso hesita em verificar esses tesouros, a forma como isso é explicado é tão blah! insossa, que não convence ninguém. Fica a impressão de que ele está fazendo birra hormonal, sinceramente.

E eu nem vou começar a reclamar do óculos de lente cor-de-rosa que esse menino põe quando pensa na Sarah Hart.

Okay, eu vou reclamar, sim, porque preciso desabafar minha irritação. Gente, há quanto tempo os dois se conheciam, cinco meses? Três? E há quanto tempo namoravam? Menos que isso, né? Aí vem o John começar a quase compor poesias mentais para a menina, quando deveria estar, sei lá, tentando sobreviver? Sendo que, sabe aquela história de "pessoas de Lorien só se apaixonam uma vez"? Fica claro como Lumen que isso não é nem um pouco verdade.

E essa é a parte do livro que me fez mandar a SMS acima mencionada.

Não me levem a mal. A Sarah é uma boa menina. Só que ela é só isso, mesmo: uma boa menina. Ela não é como o Sam, que está envolvido na situação e se joga nela com tudo o que tem. E não é nenhum dos Números, também. Ela só é bonita e tira fotos. Para ser um personagem interessante e cativar os leitores, você tem que ser mais que a musa romântica idealizada. Quero dizer, pegando José de Alencar como exemplo, quem vocês preferem: a Viuvinha mosca morta de A Viuvinha, ou a Aurélia de Senhora?

Quanto á Marina, apesar dela se meter em muita confusão ao longo de toda a narração, normalmente provocada pela própria falta de bom senso, acabou se tornando uma personagem no meio do caminho entre nasceu-para-ser-coadjuvante e parece-promissora. Ela merece muito a minha admiração pela forma como enfrentou a vida com uma Cêpan completamente inútil como a Adelina, mas muitas das decisões que ela tomou do meio para o fim da história foram estúpidas.

Fora a construção dos personagens, algumas outras coisas não fazem muito sentido nessa história. Quando os Números ainda vivos da história abrem seus baús e tiram de lá as heranças, fica muito claro que noventa por cento dos itens lá dentro não fazem o menor sentido para eles. Por que diabos os Cêpan não explicam a utilidade das coisas para os Garde, pelamordosdeuses? Olha, quando eu descobri que um dos itens de lá serve para permitir comunicação entre os sobreviventes de Lorien, eu fiquei com muita raiva. Eles podiam estar se comunicando há eras! Fora que, quando o Cêpan morre, o que parece ser uma coisa que acontece com muita frequência nessa história, o pobre Garde fica completamente desamparado, sem saber o que fazer com um monte de objetos que ele não sabe nem dizer o nome.

Outra coisa que me irrita é o fato dessa galera ficar trocando de nome toda hora e não ter um nome original. Poxa. Todo mundo que precisa mudar de identidade para se esconder tinha uma identidade original. Os autores simplesmente não exploram isso, e todo mundo segue se chamando pelos nomes de uma das identidades humanas. A única exceção é a Six, que fala que não quer ser chamada pela identidade falsa dela. Uma das razões pelas quais ela é a personagem mais "real" da história.

Falando em realidade, às vezes o autor veste a máscara do Jack, O Estripador, e sai matando personagens a torto e a direito em uma tentativa, creio eu, de tornar a história mais condizente com a realidade. Se eu fosse a editora desse livro, provavelmente diria que ele está fazendo isso errado.

Enfim. Por essas e outras inconsistências narrativas, essa série não entra no rol das minhas favoritas. No entanto, eu me apeguei a alguns personagens e estou curiosa para saber como a história termina. Por isso, e só por isso, vou continuar lendo os livros.

Nota: 7/10

Larissa

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