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, em quinta-feira, 17 de maio de 2012 ,
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Quem aí gosta de Harry Potter?
Quem lê ou já leu fanfics?
Hoje vocês lerão uma shortfic escrita pela Larissa Gallas com personagens de Harry Potter, mais especificamente, alguns que aparecem no epílogo do último livro. Então, avisados disso, arrisquem-se se quiserem!

Camila Araújo

Disclaimer: Ah, cara, até a Rainha da Inglaterra sabe quem escreveu esses livros, e certamente não fui eu.

N/A: Cansei de ver histórias do Albus em Slytherin, porque, sinceramente, se não o colocassem na Gryffindor, ele iria arriscar e escolher ir para lá, do mesmo jeito.


A Sorte Favorece o Bravo

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Hmm. Eu não via duas cabeças assim, tão iguais, desde aqueles gêmeos Weasley.

Essa foi a primeira coisa que o Chapéu Seletor informou a Al Potter quando encostou nos cabelos muito escuros e indomáveis do menino, que piscou lentamente, surpreso. Por alguma razão que agora lhe escapava a memória, o garoto sempre imaginara a voz do Chapéu como fanha e enfadonha. Estava surpreso ao escutá-la tão normal. Como se fosse o próprio Godric Gryffindor falando em sua cabeça.

Também estava surpreso por ainda não ter tido uma síncope ou ataque de pânico. Quando chamaram seu nome – “Potter, Albus!” – e tivera que atravessar todo aquele salão grande demais sob o escrutínio da multidão de alunos veteranos e novatos, sua mente entrara em piloto automático. Caminhara com uma leveza esquisita que lembrara instantaneamente sua tia Luna e, apesar de gostar bastante dela, Albus não queria ser comparado a uma pessoa que passara dez dias sem tomar banho para testar a teoria da Crosta Mágica de Sujeira.

Não, não queria mesmo.

Odeio me repetir, mas parece que você será tão difícil de definir quanto aquele outro Potter foi, anos atrás.

Nesse momento, Al teve que arregalar os olhos. Lembrou das histórias contadas por seu pai e pelo tio Neville – err, quer dizer, Professor Longbottom – sobre como Voldemort havia ateado fogo ao chapéu. Aquele era o mesmo chapéu! De onde tio Nevi--, Professor Longbottom e seu pai já haviam retirado a Espada de Gryffindor, e que estava selecionando alunos em Hogwarts muito-muito antes de seus avôs nascerem.

Hmm. Boa cabeça sobre os ombros. Parece um pouco menos perdido do que o outro Potter estava em todas as vezes que me colocou na cabeça. Acho que ele gostava de mim. Hmm. Hm. Não quer desapontar os pais, sim; lealdade familiar... Mas não daria um bom Hufflepuff, não, não daria. Muito orgulhoso para isso.

Al continuou calado, apesar de ter a impressão de que o Chapéu estava lendo tudo o que ele pensava. Só ficou aliviado de não ter que ir para Hufflepuff, porque, por mais que o pessoal de lá parecesse legal, o fato era que ia para Hufflepuff quem não tinha lugar em qualquer outra Casa. (Sem falar que James e Freddie iriam encher MUITO o saco dele, se ele fosse parar em Hufflepuff).

Vontade, muita vontade, de ser como o seu pai. Isso exige um bocado de ambição, garoto. E com o seu potencial... Sim, você se daria muito bem em Slytherin.

Albus prendeu a respiração, sentindo a cabeça ficar bem leve. Depois se forçou a soltar o ar, lentamente. Podia sentir o corpo inteiro tremendo.

Mas lembrou do sorriso de despedida do pai, e de como os olhos muito verdes dele refletiram os seus próprios enquanto ele contava o seu segredo, o Expresso de Hogwarts apitando, prestes a partir. Não queria decepcionar seu pai, não depois dele ter dito que os Slytherins eram mal compreendidos. Que não havia nada de errado em ser Slytherin, apesar de o tio Ron ter afirmado que ia deserdar os filhos que não fossem para Gryffindor.

Al não queria parecer covarde quando contasse essa história para o pai.

Oh. Não ficou com medo de ir para Slytherin, depois de toda a sua família (e, por Merlin, que família imensa, a sua) ter ido para Gryffindor?

Dessa vez, Al não conseguiu ficar em silêncio.

“Eu não estou com medo. Eu estou apavorado”, o menino sussurrou, nervoso. Agradeceu o fato de o chapéu ser grande o suficiente para cobrir seus olhos, porque tinha certeza que de que estava ali há mais de cinco minutos e a pressão dos expectadores o atingia como pontadas. “Mas meu pai me disse que não há nada de errado em ser Slytherin. Ele disse... Ele disse também que o Chapéu Seletor considera a nossa escolha, mas eu não quero que ele fique achando que eu escolhi Gryffindor só porque sabia disso”, o menino desabafou, piscando os olhos tão rápido que seus cílios engancharam no tecido velho do chapéu.

Em seguida, Albus teve a impressão de que o Chapéu Seletor tinha dado uma risada. No entanto, não teve tempo para ter certeza, porque a conversa continuou.

Ora, acabou de demonstrar tanta bravura e orgulho quanto aquele outro Potter, que se recusou em ser dobrado para a Casa em que eu queria colocá-lo... Só que no seu caso, você encarou a possibilidade de ser escolhido para a Casa que tem mais medo de pertencer.

A próxima palavra que o Chapéu falou foi dita em alto e bom tom, para todo o Salão Comunal.

“Gryffindor!”

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Fim

Larissa Gallas

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