Café dos Cole #6

, em domingo, 4 de dezembro de 2011 ,
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Vocês gostariam de um cafézinho?

Quem continua é o Val Jr.


Café dos Cole - parte 5


"- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!
Não deveria ser um grito tão alto. Na verdade, uma travessa não devia ter virado magicamente ao meu lado enquanto terminava de preparar o risoto do dia (não somos um simples Café, não esqueça). Aninha e Camila não tinham tido tempo de correr ao meu socorro, porque ele já estava lá e elas não podiam fazer mais nada. Oh não...
- O que acabou de acontecer aqui? – disse, sussurrou o grandioso Kyoya enquanto empurrava os óculos no rosto. Uh-oh. A resposta era óbvia: eu tinha sido estúpido o suficiente para derrubar uma das panelas enquanto realiza movimentos amplos demais para preparar um almoço simples e sobremesas para o cliente VIP esperado. Então, quem deveria ser responsabilizado?
- Deixem comigo, por favor. – Um desconhecido de fraque apareceu entre as garotas estáticas e curvou-se educadamente para ele, enquanto retirava com os dentes uma das luvas e recolhia rapidamente alguns instrumentos de limpeza. Pela aparência do mordomo, não lhe incomodava cuidar de tais serviços, mas ele tinha algo mais... superior, profundo, secreto, aquele ar de aristocrata subserviente. Talvez ele não fosse tão subserviente assim. E a tatuagem delineada com a estrela roxa na mão? Impressão minha.
Se alguém tivesse tido coragem de dizer babbling, bumbling band of baboons* cinco vezes, ficaria calado rapidamente. O mordomo devolveu a travessa em perfeito – perfeito – estado e o chão, ah o chão, estava impecável, brilhando. Em minutos. Os únicos que não estavam de queixo caído eram Kyoya, que empurrava os óculos discretamente para a ponta do nariz e um rapazinho de cabelo azul que aparecera entre Ana e Camila, apoiando impaciente uma mão em uma bengala de ponta e madeira refinadas. Engoli o quarto bumbling.
- Bocchan. – retirou-se o mordomo com mais uma saudação para o chefe, agora segurando em uma das mãos enluvadas um pequeno pires de porcelana e, com outra, o cappuccino descafeinado pedido pelo garotinho de ar impertinente e encantador.
Partiram para uma mesa afastada na nossa sala de recepção. E, sem virar, o mordomo comentou para mim: “retire esses óculos, não lhe caem... bem.” Com a mandíbula doendo, recompus-me e passei os dedos pela armação vermelha e com correntes prateadas laterais, um presente antigo de um cliente de capa vermelha e sorriso... largo. Como era mesmo o nome dele? Nas laterais, duas iniciais: G. S.
Kyoya se retirou para a sala de administração do Café no primeiro andar e pudemos os três, finalmente, respirar profundamente. Senti meu bolso mais leve, porque o salário teria um corte espetacular naquele mês, mas a cabeça continuava ali. Baboons."

*Harry Potter 4

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